Essa semana li uma matéria na revista GLAMOUR (inclusive, foi a primeira vez que comprei) sobre uma "nova tendencia" de mulheres profissionais que estão deixando as carreiras para serem "donas de casa".
Primeiro, quero dizer que achei a matéria muito superficial porque entrevistou 3 mulheres na faixa dos 30 anos que fizeram essa opção há apenas alguns meses/anos, sem se preocupar em ouvir casos que não deram certo, ou ainda o que acham os psicólogos ou outros profissionais sobre o assunto, ou seja, mostrar os dois lados da moeda, esse tipo coisa que se espera de uma matéria de revista.
Mas também, talvez esse seja o perfil da revista... mais superficial mesmo! Não sei dizer...
De qualquer forma, o assunto me chamou atenção, porque como mãe e profissional, na faixa dos trinta, sinto e vejo várias amigas, vivendo esse grande dilema: como conciliar casa, carreira, filhos e casamento? E ainda poderia acrescentar: sem perder a vaidade e a paixão?
Parece quase uma MISSÃO IMPOSSÍVEL, hein?
Tem dias que é mesmo!
Mas será que largar o trabalho para se concentrar na casa e nos filhos é a melhor solução?
Com certeza eu não tenho a resposta pra isso, até porque cada pessoa tem as particularidades de sua vida e uma solução que é boa para uma não é legal para outra.
Mas acho que dá pra aprofundar mais que a GLAMOUR nesse assunto.
As três mulheres entrevistadas se disseram felizes e realizadas em cuidar dos filhos e do marido como principal ocupação e que não sentiam falta da carreira, apesar de que lembro de uma ou duas delas terem mencionado que essa dedicação exclusiva não seria permanente, que pensavam em retomar as carreiras no futuro, com os filhos mais velhos.
Bom, se estão felizes com essa escolha, acho que para elas foi a melhor opção. Mas não consigo deixar de lado a impressão de que estaríamos voltando à época das nossas avós, quando viviam exclusivamente para família, e que estamos abrindo mão da nossa (tão suada!) independência, não só financeira, mas também pessoal, de realização e conquista profissional, de ter uma vida social além daquela familiar, de ter outros interesses.
Talvez esse meu pensamento tenha raízes na minha criação. Minha mãe não trabalhava quando éramos criança e cuidava apenas da família. Acho que enquanto eramos pequenos, dávamos tanto trabalho que ela se mantinha ocupada e feliz (eu acho), mas já adolescente percebia uma certa frustração da parte de minha mãe em não ter uma atividade que a realizasse profissionalmente, não ter colegas de trabalho com quem sair para um "happy hour", não ter o prazer te ver um trabalho reconhecido, não ter outros assuntos para conversar que não fosse relacionado à casa e aos filhos, ou seja, de ter uma vida fora aquela familiar, como meu pai tinha.
Além disso, pesa também, em muitos casos, a dependência financeira, que sem dúvida é um ponto bastante negativo nessa equação, sobretudo para quem está acostumado a ganhar seu "santo dinheirinho" e gastá-lo sem ter que dar satisfações a ninguém.
Imagina, a partir de agora, ter que pedir ao marido din din até para comprar um vestidinho básico em promoção ou ter que explicar porque gastou no cartão de crédito "oqueeleconsideraumafortuna" em um "mero" par de sapatos.
Bom, eu não queria estar na sua pele nessa hora!!
Além disso, para quem trabalha fazendo o que gosta, nada se compara ao prazer de terminar um projeto desafiador, ser reconhecida por um trabalho bem feito, ver seu negócio crescer e prosperar, receber um elogio de um cliente. Tudo isso dá uma enorme satisfação pessoal, nos enche de orgulho e nos motiva.
Agora, fazendo o papel do advogado do diabo, tem dias que no trabalho dá tudo errado, que o trânsito faz você perder uma reunião importante ou que seu chefe não reconhece seus melhores esforços, e quando, finalmente, você consegue chegar em casa à noite, já está tão tarde, que seu filho já tá dormindo e você tem vontade de largar tudo e ficar pra sempre em casa com ele, aproveitar melhor essa fase da infância, que (dizem e é verdade!) passa tão rápido!
Mas aí então amanhece um novo dia, as crianças vão pra escola, você vai pro trabalho e as coisas começam a dar certo e você esquece aquela vontade.... kkkk
Porque, um dia, os filhos crescem, muitos casamentos se desfazem, mas uma coisa permanece: sua vida e o que você faz dela.
Então só quem pode tomar a melhor escolha para sua vida é você mesma, mais ninguém a conhece tão bem a ponto de saber o que mais a realiza, satisfaz e lhe dá prazer.
É isso, acho que a resposta é que não existe resposta certa. A melhor opção é aquela que te deixa mais feliz por mais tempo, pois não dá pra ser feliz o tempo todo!
Pra mim, acho que já tenho a resposta...

